Olá, caro-eu,
Só mais uma memória para deixar registrada aqui. Sem muitas delongas, hoje, porque já passei da hora de dormir.
Esta noite tive um jantar muito agradável com uma amiga minha. Há tempo não saíamos, assim despretensiosamente, para jantar e rir. A conversa flui bastante e sempre acabamos enveredando sobre nosso processo de "adultecer". A verdade é que ninguém me parece muito contente e feliz. Sem muito esforço, é fácil perceber que as pessoas têm muitas coisas "podres" dentro delas, muitas angústias. Amadurecer para mais com um processo de aprender a manter a linha, apesar dos pesares.
Nesses momentos, as pessoas buscam suas válvulas de escape. Por vezes dentro de si, outras em algo externo, divino, espiritual, ou mesmo mais mundano. Mas em qualquer delas, ninguém aguenta ficar muito tempo na realidade. É preciso fugir ou fingir que ela não existe e não te suga.
Volta e meia escuto o quanto é fácil ser criança, porque elas sim são felizes. Sabe que acho que não? Não tive uma infância ruim, mas também não posso dizer que foi a melhor fase. Desde que tenho consciência de mim, sempre me reconheci ansiosa. Tinha medo dos meus tios que tinham aparência desagradável, tinha medo da minha avó que me lembrava a bruxa da branca de neve. Tinha medo de falar com as pessoas. Tinha medo do teto da casa que se mexia e eu vi muitos monstros. Passava os dias desejando voltar para casa e fica no meu canto, comigo mesma, que sempre foi o lugar mais agradável do mundo. Mas voltando à infância, ela não é um jardim, mas já uma mini selva, uma preparação para fase do chefão (ando jogando muito video game).
Acontece que crianças têm mesmo a habilidade de esquecer rápido, e se você não lembra, não existiu. Isso é um verdadeiro dom e não devíamos desaprendê-lo nunca. Hoje, eu me esforço para me manter bem, mas só depois de me dedicar em ciências e em filosofias sobre como fazer: compartimentalizo, medito, rezo, ignoro. Só que quase nunca é genuíno, e geralmente dispendioso. A depender do assunto, efetivamente mexe né? E aí, o que faz? Compartimentaliza, medita, reza, ignora. Essa são quase sempre as minhas escolhas e têm sido meu caminho há algum tempo.
Melhor seria, claro, se tivéssemos a mesma capacidade infantil de se esquecer de lembrar do que nos atormenta. O "deixar pra lá" mais verdadeiro, mas parece que ficou lá atrás, junto com a infância. Adultos conseguem deixar as coisas mais complicadas, apesar de saber que no fundo, no fundo, elas são muito simples. Nesse ponto, adulto só emburrece, não amadurece.
Um beijo!!
Volto logo!
Andressa
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