Olá,
Há quase um ano, escrevi, em breves palavras, sobre como estava me recuperando de uma decepção que havia tido. Em resumo, tratava-se de um rapaz, o qual ainda eu não sabia o tanto de apreço que tinha, mas que em meio a algumas manobras equivocadas, acabou por quebrar o esmero e a lealdade lhes destinadas.
Há quase um ano, escrevi, em breves palavras, sobre como estava me recuperando de uma decepção que havia tido. Em resumo, tratava-se de um rapaz, o qual ainda eu não sabia o tanto de apreço que tinha, mas que em meio a algumas manobras equivocadas, acabou por quebrar o esmero e a lealdade lhes destinadas.
Ele me julga, porque acha que supervalorizo as coisas. Não acho sabe? Lealdade é sentimento que se tem a uma pessoa que gostamos, mesmo que não se trate de um relacionamento sério. É diferente de ser fiel, não é? À época eu acreditava que nisso. Aparentemente, tudo invenção da minha cabeça.
Enfim, a pessoas pensam diferente, agem diferente, cometem erros e podem voltar atrás. Caso é que esse mesmo rapaz de quem falo, hoje, está numa foto aqui na cabeceira ao lado da minha cama (Quem diria!). Todo dia ao acordar, é uma das primeiras coisas que vejo e fico feliz em "lembrar" que as águas são realmente passadas.
É para contar sobre isso que vim aqui. Esta é uma memória que nunca escrevi sobre, mas é tão viva em minha mente, e por que não eternizá-la escrevendo?
Uma vez, numa noite fria e melancólica em Lisboa, pensava sobre a vida e sobre umas coisas as quais sentia falta. Dentre elas, sentia falta de ter alguém com quem compartilhar meu dia, com quem me preocupar, dar apoio, fazer e receber carinho. Não simplesmente alguém, esse tinha que ser meu parceiro de crime, meu companheiro de vida (amo essa expressão) para que, perto ou longe, pudesse sentir conexão, amor, respeito e encontro. Alguém o qual valesse a pena não sair atrás da viagem dos meus sonhos para simplesmente estar em casa com ele.
"Viagem" é a minha métrica e isso significa que esse terceiro efetivamente me seria de grande estima caso fosse capaz de me fazer "não querer viajar", não querer ir embora, de me fazer querer ficar quietinha e em paz ao seu lado ou, de outro modo, de me fazer querer ganhar o mundo junto com ele. Embora muito pragmática, existe, sim um romantismo nisso. Se existe! Mesmo que eu não pareça a mais viajante e aventureira do mundo, vontade não me falta, me faltam condições de o ser.
Pois bem, voltando a noite lá em Lisboa, me preparava para ir dormir e me lembro que estava especialmente desanimada e angustiada naquele dia.Tinha festas para ir, amigos e pretendentes, mas estava trocando tudo por um abraço que, na plenitude da intimidade de dois, aconchega, acalma, faz bem e te fortalece. Daquele em que há uma troca mútua, trazendo consigo uma sensação intangível de bem estar.
No intuito de acalmar a alma, fiz aquilo que todos, nas peculiaridades de suas crenças, fazem. No meu caso, fiz uma oração e pedi tanto por alento, como que fosse posto em meu caminho aquele que me faria desfazer as malas.
Minha memória agora falha um pouco sobre como as coisas se sucederam a seguir. Não tenho certeza se foi durante a oração, logo após a ela ou quando pegava no sono ou acordava. Verdade é que ouvi quase que nessas mesmas palavras: "Não se preocupe. Estou cuidando para você" e, no mesmo instante, meu coração ficou calmo e sereno, e toda angústia se dissipou.
Céticos dirão que não passou de alguma atividade cerebral por atuação de um neurotransmissor, chamado por algum termo científico com direito a prefixos e sufixos. Para mim, vai muito além disso. Houve mágica naquele instante, ato contínuo, houve paz divina. Foi reconfortante saber/sentir que um ente que é só amor cuidaria de colocar ainda mais amor em meu caminho.
O tempo passou, minha fé não abalou e, alguns meses depois, conheci certo rapaz. Não posso dizer que de imediato a luzinha do alerta ascendeu, pelo contrário, que desastrado ele era, mas progressivamente um "será?" foi se formando em minha cabeça.
Sem entrar em mais detalhes, houve certas tensões, porém, que me fizeram esmorecer. Na pior delas, fiz novamente uma oração, pedi perdão por ter deixado abalar a fé e entreguei novamente. E o que aconteceu foi que quase um ano depois esse rapaz é o da foto da cabeceira, sobre o qual e para quem estou falando agora. Há, claro, divergências, mas aquilo que converge em muito as supera.
E não é em razão de que pensamos muito parecido, até mesmo porque consegue ler meus pensamentos, não só quando se trata do pedido do restaurante, nem em razão de termos o mesmo tipo de sinal na mesma mão e no mesmo lugar; e também não só pelas incontáveis "coincidências" que vão surgindo, mas, principalmente, porque sinto que olhamos na mesma direção. Provavelmente, por conta disso tudo, toda vez que lembro de nós, a paz, a plenitude e a mansidão se fazem presente. Que bom que estão presentes, que bom, meu lindo, que está presente, que está aqui.
Um xero em você!
Andressa Moura
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